“Sabores da Escrita” deu a provar as delícias da Grécia Antiga

A Casa da Escrita acolheu, na passada sexta-feira, mais um “Sabores da Escrita”, este dedicado ao tema da Grécia Antiga. Carmen Soares, diretora do Doutoramento em Patrimónios Alimentares: Culturas e Identidades da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (UC), foi a convidada desta sessão. O “Sabores da Escrita” é uma iniciativa que combina gastronomia e literatura, e que é organizada pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC), em parceria com os Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC) e com a Faculdade de Letras da UC (através do Projeto DIAITA – Património Alimentar da Lusofonia, e do Doutoramento em Patrimónios Alimentares: Culturas e Identidades).

“Mesa de delícias da Grécia Antiga – Poema gastronómico de Arquéstrato” foi o tema da palestra de Carmen Soares, que teve início pelas 20h00. A diretora do Doutoramento em Patrimónios Alimentares, e também docente da UC, falou da “alta cozinha” grega (um conceito que vem já do séc. IV a.C.), dos produtos de alta qualidade e ambientes refinados e do mais antigo “guia gastronómico”. Um guia da autoria de Arquéstrato, que nos oferece um retrato das mais deliciosas comidas e afamados vinhos de Mediterrâneo antigo e suas zonas de influência. Nesta época, em que a conservação se reduzia essencialmente à salga, o peixe era uma das iguarias mais afamadas. A mesa de Arquéstrato, enquanto espaço para conviver e comer, era assim o mais extenso testemunho escrito do requinte gastronómico da Grécia.

Depois de ouvir Carmen Soares, chegou a hora da sala de jantar da Casa da Escrita acolher, então, um manjar da época, recheado com alguns apontamentos cénicos trazidos pela companhia Viv’Arte, inspirados na poesia de Xenófanes, na “Odisseia” de Homero e em partes do “Poema Gastronómico de Arquéstrato”, no qual o poeta sugere ao leitor encontrar melhor manjar no mundo mediterrâneo.

À mesa do chefe Luís Lavrador (SASUC), constaram como aperitivos (”parposides”) Cubinhos de Heraclides, Pão Escondido, Queijo da Tessália, Azeitonas amadurecidas da árvore, Mexilhões do Eno, Fritada de peixe miúdo, Conserva de atum e cavala e Vinho da branca flor. Como prato principal (“protai trapezai”/primeiras mesas) foi servido Raia estufada, Flores bem cheirosas de hortaliça, Lebre no espeto, Grão-de-bico e Vinho Tásio. À sobremesa, saborearam-se Figos secos, Uvas de Tebas, Queijo fresco com mel do Monte Himeto, Itria de Alexandria, Basiniai de Iris e Vinho Lésbio (quente e aromatizado).