Nuno Grande perspetiva a futura Avenida Central como uma “Avenida da Arquitetura”

O arquiteto Nuno Grande não esconde a sua satisfação por a exposição “700 + 25 Arquitectura na UniverCidade” ter sido remontada na Sala da Cidade, que define como um “espaço magnífico devolvido à sua grandeza”. O docente da Universidade de Coimbra deseja que a Arquitetura faça também parte da programação do Convento São Francisco e perspetiva os dois equipamentos – Sala da Cidade e CSF – ligados pela futura Avenida Central, que espera vir a tornar-se numa “Avenida da Arquitetura”. 

Recorde-se que a Câmara Municipal de Coimbra quer ligar a Avenida Fernão Magalhães à Rua da Sofia (junto à Caixa Geral de Depósitos) através da abertura de uma Avenida Central.

“Esta ideia de podermos ter do lado de cá e do lado de lá arquitetura contemporânea permanentemente celebrada e - por que não? -, ligando as duas a nova Avenida Central que já está ali anunciada. Um projeto de Gonçalo Byrne, também desenvolvido no âmbito da Universidade, em tempos, e hoje o desejo de a concretizar já ali na fachada do edifício”, enunciou Nuno Grande, no passado sábado, durante a inauguração da exposição “700 + 25 Arquitectura na UniverCidade”.

“Esta Avenida Central, que eu espero que passe a ser uma Avenida de Arquitetura entre a Sala da Cidade e o novo Palácio de Congressos [Convento São Francisco]”, reforçou. Nuno Grande deseja ainda que o Convento São Francisco possa ser um local onde possam realizar-se exposições, debates e outras manifestações sobre Arquitetura. “De forma a que a Arquitetura seja celebrada não por alguns especialistas, universitários ou académicos mas como algo que faz parte da vida urbana, da vida quotidiana de todos os cidadãos.” 

Ouça aqui a intervenção de Nuno Grande.

A exposição “700 + 25 Arquitectura na UniverCidade” tem curadoria de Nuno Grande, José António Bandeirinha e Desirée Pedro, que marcaram presença na (re)inauguração, assim como Carina Gomes, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra (CMC). A mostra integrou a primeira bienal Anozero, em 2015, organizada pelo Circulo de Artes Plásticas de Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra e Universidade de Coimbra. 

“A Câmara desafiou o Círculo [de Artes Plásticas de Coimbra] e os curadores [da primeira Bienal Anozero] a montar esta exposição, precisamente, por ser uma exposição de um valor elevadíssimo (…) que devia vir para a Baixa para ser visitada por qualquer pessoa”, explicou, no sábado, Carina Gomes, na inauguração da exposição.  

A mostra é uma coprodução do Município, Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) e Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (UC), que estará patente, na Sala da Cidade (Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes, espaço contíguo aos Paços do Município), até ao próximo dia 22 de abril, de terça a sábado, entre as 13h00 e as 18h00. 

Segundo Carina Gomes, “a exposição representa uma parte importantíssima da cidade de Coimbra, com nomes muito relevantes da arquitetura contemporânea (…); apesar de poder passar um pouco despercebido, Coimbra tem estas obras e estes autores, arquitetos e edifícios que vale a pena visitar”, destacou.

A autarca garantiu ainda que a Bienal de arte contemporânea se irá realizar em 2017 e que as respetivas exposições serão colocadas no Convento São Francisco, aproveitando para destacar o impulso que aquela zona da cidade tem vindo a sofrer. “Toda aquela área está a ser transformada e a ser revivificada (…) quem agora visitar aquela zona da cidade, verá que as diferenças são visíveis na convivialidade e na utilização do espaço público.”

A exposição inaugurada este sábado celebra a arquitetura e o seu contributo para a construção de um património contemporâneo local, um legado que se construiu e constrói ao longo do tempo, refletindo um conjunto de obras edificadas, de 1990 a 2015, na cidade de Coimbra, interpelando aqueles que nela vivem. A iniciativa constitui, também, um tributo aos 725 anos da UC e aos 25 anos do Departamento de Arquitetura da instituição de ensino superior.

Inicialmente integrada na edição de 2015 da Bienal Anozero a exposição foi, agora, remontada na Sala da Cidade, permitindo a projetistas e público dispor de um espaço privilegiado para a apresentação e contemplação dos projetos de arquitetura contemporânea que enriquecem a cidade. Pretende-se, de igual modo, renovar a possibilidade de descoberta e debate sobre a arquitetura contemporânea e a divulgação de autores e obras que marcam o território urbano.

O programa da exposição conta, ainda, com duas palestras, abertas ao público, que decorrerão no Café de Santa Cruz, previstas para os dias 6 e 20 de abril (ainda que ambas as datas careçam de confirmação, a anunciar oportunamente). As sessões terão dois momentos: o confronto com a obra na sua dimensão física e temporal e a apresentação da mesma pelo(s) projetista(s). Nestas sessões públicas, os aspetos mais relevantes para a sua contextualização e clarificação permitirão que o visitante, já na posse de toda a informação presente na exposição, possa, por fim, descobrir, percecionar e compreender a obra.

Sobre a exposição: a arquitetura representa-se, uma vez que a sua perceção e fruição apenas serão plenamente realizadas na sua presença física. A representação da obra apenas nos dá instrumentos para o confronto crítico com a sua presença. Assim, os Livros de Obra antecipam a obra construída, uma vez que, na verdade, são livros de instruções para a sua construção. As maquetas estabelecem relações de altimetria entre os diversos projetos e entre a cidade em que se implantam. Representam as cotas de implantação num mapa planificado, assinalando a sua localização. Os filmes registam os espaços a serem usados, convocando o olhar de quem projetou, preparando o olhar de quem irá visitar a obra.