4º Encontro de Literatura Infantil e Juvenil começou hoje na Casa Municipal da Cultura

O 4.º Encontro de Literatura Infantil e Juvenil, cujo tema é “Entre a Ciência e a Literatura – Rotas para a Formação de Leitores” começou hoje, na Casa Municipal da Cultura (Sala José Sebastião da Silva Dias), e termina, amanhã, no Exploratório. 

O evento decorre no âmbito do plano de ação “Coimbra a ler+” (relacionado com a missão das bibliotecas públicas enquanto promotoras da leitura e outras literacias, no sentido de uma maior informação, alfabetização, educação e cultura), consolidado através da parceria entre a Câmara Municipal de Coimbra e a Rede de Bibliotecas Escolares Concelhias. No projeto colaboram ainda os centros de formação Minerva e Nova Ágora, a Cooperativa Bonifrates, o Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra – Rómulo de Carvalho e o Exploratório Ciência Viva de Coimbra. 

Trata-se de um encontro formativo interconcelhio reconhecido pelo Ministério da Educação, dirigido a docentes e outros mediadores da leitura, inclusive formandos que não pretendam os créditos desta formação. Pretende fazer uma abordagem e uma reflexão sobre o interesse e a importância da relação entre a ciência e a literatura: diferentes contextos, diferentes leituras, literacias diversas, papel e influência das bibliotecas municipais e escolares e outros equipamentos culturais na educação e formação do cidadão.

Na sessão de abertura, Carina Gomes, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, deu as boas vindas aos participantes e agradeceu às entidades que, conjuntamente com a CMC, organizam este 4.º encontro. A autarca não deixou de referir o facto de as inscrições terem aumentado este ano, atingindo a centena. Como disse, este “é um encontro importante, com um tema em debate muito interessante, sendo já reconhecido pelo Ministério da Educação”.

Teresa Santa Clara, da Rede de Bibliotecas Escolares, referiu igualmente que “este encontro tem um programa interessante e estimulante, que permite ver a ligação entre a ciência e outras áreas”. Tal como referiu, “tem de haver rotas para a formação de leitores e, nesse propósito, as bibliotecas e escolas são importantes”. E rematou, afirmando “que não há uma receita única”.

Na sessão de abertura estiveram ainda presentes os representantes dos Centros de Formação de Associações de Escolas Minerva e Nova Ágora, respetivamente, José António Marques e João Paulo Janicas. José António Marques salientaria novamente o aumento dos participantes, que diz ser fruto do “êxito das edições anteriores”, destacando o facto de estarem presentes 80 professores de formação.

A primeira comunicação do encontro coube ao biólogo Jorge Paiva, que falou sobre “A vida, os amores e as plantas camonianas”. Como referiu o biólogo, “é nos Lusíadas que o poeta mais plantas menciona (cerca de cinco dezenas), na maioria asiáticas e aromáticas. Na lírica refere muito menos espécies de plantas (cerca de três dezenas e meia), maioritariamente europeias, campestres e ornamentais”.

Antes do primeiro painel da tarde, alunos de várias nacionalidades do Liceu José Falcão, leram, na sua língua de origem, o poema “Mar Português”, de Fernando Pessoa.

Sendo moderado por Helena Duque, da Rede de Bibliotecas, o primeiro painel versou sobre o “Acesso ao conhecimento, comunicação científica e fontes literárias” e contou com Nuno Camarneiro, Sérgio Rodrigues e Ana Sofia Afonso. Nuno Camarneiro, licenciado em Engenharia Física e escritor, falou sobre “A matéria da ficção: ciência e literatura”, mostrando o que têm em comum e o que as separa, falando de modelos científicos e literários.

Seguiu-se Sérgio Rodrigues, docente do Departamento de Química da Universidade de Coimbra, que discursou sobre “Livros com química: um olhar sobre a presença da química na literatura”. Sérgio Rodrigues pretendeu assim mostrar como a química, assim como o conhecimento e a prática desta ciência está presente em muitas obras literárias e em alguns dos mais importantes livros da história da humanidade. O palestrante não deixou de dar alguns exemplos e ler excertos de alguns livros.

Encerrou este painel Sofia Afonso, que abordou a “Ciência na literatura: construindo conceitos científicos pela desconstrução da linguagem”. Ana Sofia Afonso é formada em física e falou sobretudo de um estudo que realizou com a linguista Susana Afonso. Na sua apresentação, descreveu diferentes percursos do seu trabalho, com o intuito de desconstruir a linguagem de livros de literatura que incluem conceitos de ciência nas suas narrativas ou divulgam assuntos de ciência usando uma narrativa.

O 4º Encontro de Literatura Infantil e Juvenil, cujo tema é “Entre a Ciência e a Literatura – Rotas para a Formação de Leitores”, prossegue amanhã.