Grigory Sokolov atua dia 24 de abril no Convento São Francisco

O pianista de culto Grigory Sokolov estará, pela primeira vez, em Coimbra para um recital no Grande Auditório do Convento São Francisco, no próximo dia 24 de abril, às 21h30. Célebre pela sua mestria técnica, para este concerto Sokolov selecionou do seu vasto repertório obras de Mozart e Beethoven.  Grigory Sokolov é reconhecido como um dos maiores pianistas do nosso tempo, um visionário universalmente admirado pela espontaneidade fascinante e entrega total à música. As suas interpretações poéticas tomam uma intensidade mística, efeito do profundo conhecimento das obras que constituem o seu repertório.

De acordo com a crítica, os recitais de Sokolov assemelham-se a uma liturgia quer pela presença de um conjunto de admiradores que o segue fielmente, quer pela forma como este se apresenta em palco, habitualmente envolvido por uma luz ténue, que lhe confere uma aura de músico sóbrio e imperturbável. Com um estatuto “lendário”, o pianista destaca-se pelo seu talento, rigor, capacidades prodigiosas e mestria técnica, que se revelam em sonoridades poderosas e de grande fulgor.  

O interesse e domínio que tem do mecanismo e configuração dos instrumentos em que toca são uma marca que o distingue de outros pianistas. Passa horas a explorar as características físicas dos pianos, consultando e colaborando com técnicos para atingir os seus requisitos. A parceria entre artista e instrumento é essencial no processo de trabalho e de criação das ideias musicais de Sokolov.

O carisma da arte de Sokolov assenta sobretudo na capacidade de captar a atenção necessária do público para contemplar as obras que interpreta. O pianista russo surpreende mesmo com as composições mais familiares, acrescentando-lhes novas perspectivas e possibilidades de leitura.

O solo de piano de Grigory Sokolov no Convento São Francisco inclui obras de Mozart e Beethoven. O recital abre com a Sonata para Piano n.º 16, em Dó maior, K 545 de Mozart. Trata-se de uma peça em três movimentos, conhecida do grande público e que foi registada no catálogo do compositor austríaco em junho de 1788, no mesmo dia que a Sinfonia N.º 39. Do mesmo compositor, segue-se Fantasia em Dó menor, K. 475 e Sonata para Piano n.º 14, em Dó menor, K. 457, ambas publicadas em 1785, na Artaria, a editora vienense de Mozart. Dedicada a Thérèse von Trattner, uma das alunas de Mozart, a Sonata foi escrita em Viena, provavelmente para ser tocada em contexto de ensino ou em ambiente intimista. A segunda parte do programa é dedicada a Beethoven e às últimas sonatas escritas pelo compositor alemão. Destaca-se a Sonata para Piano n.º 32, em Dó menor, op. 111, célebre por romper com os cânones clássicos do género e, muitas vezes, apontada como o seu auge. 

  

Sobre Grigory Sokolov

A natureza única e irrepetível da música que hoje se faz é essencial para entender a beleza e honestidade da arte de Sokolov.

Os seus recitais percorrem um repertório vasto desde transcrições da polifonia medieval, passando por obras para teclado de Byrd, Couperin, Rameau e Froberger. Integram ainda a música de Bach, Beethoven, Schubert, Schumann, Chopin, Brahms e compositores fundamentais do século XX como Prokofieff, Ravel, Scriabin, Rachmaninoff, Schoenberg e Stravinski.

Grigory Sokolov nasceu em 1950, em Leninegrado (atual São Petersburgo). Começou a estudar piano aos 5 anos e, aos 7, iniciou os estudos com Liya Zelikhman no conservatório local. Teve aulas com Moisey Khalfin no Conservatório de Leninegrado e, em 1962, deu o seu primeiro recital. O prodigioso talento de Sokolov foi reconhecido aos 16 anos quando se tornou o mais jovem músico de sempre a receber a Medalha de Ouro no Concurso Internacional Tchaikovski, em Moscovo. Embora tenha realizado digressões nos EUA e Japão nos anos 70, o pianista alcançou a maturidade artística longe dos holofotes internacionais. As suas gravações ao vivo realizadas durante o período soviético adquiriram um estatuto quase mítico no Ocidente, evidenciando um artista singular, mas influenciado pela riqueza da tradição da escola russa do piano. Depois do colapso da União Soviética, Sokolov começou a tocar nas principais salas de concerto e festivais. Apresentou-se como solista com grandes orquestras mundiais, como a Filarmónica de Nova Iorque, Orquestra do Concertgebouw de Amesterdão, Philharmonia de Londres, Sinfónica da Rádio Bávara e Filarmónica de Munique, antes de se concentrar em exclusivo nos recitais a solo. Apresenta-se em cerca de 70 recitais por temporada, mergulhando por inteiro num programa único em digressões extensas pela Europa.

Em 2014, Sokolov assinou um contrato de exclusividade com a Deutsche Grammophon. O primeiro álbum, de janeiro de 2015, é a gravação ao vivo do recital que o pianista apresentou ao Festival de Salzburgo, em 2008, com obras de Chopin, Mozart e encores de Bach, Rameau e Scriabin.

Em 2016, edita um segundo álbum gravado ao vivo na Philharmonie de Varsóvia e no Festival de Salzburgo, em 2013, com obras de Schubert, Beethoven e encores de Rameau e Brahms.

 

Revista de Imprensa

“Acima de tudo, o pianista russo nunca dececiona: encara o seu ofício de forma tão séria que é incapaz de tocar de improviso, ou de, por capricho, construir um programa pensado somente no seu brilho. A Madrid trouxe, por exemplo, uma sequência de obras que além de confirmar que possui uns dedos certeiros, inteligentes e ágeis, também demonstra que o seu cérebro está muito bem-humorado”.

Luis Gago, El País, 21/02/2017

“Como acontece frequentemente, quando estamos na presença de músicos excecionais é difícil, e talvez nem seja desejável ou essencial, analisar os que os torna grandes. É apenas um facto que, ao ouvir Sokolov, sabemos inequivocamente que estamos na presença de alguém extraordinário, com insights especiais e uma maneira muito pessoal de articular, descobrir e comunicar com a música, encontrando através da interpretação a sua verdadeira essência”.

Geoffrey Norris, The Telegraph, 24/01/2015

“Se há pianista vivo que tem um estatuto ‘lendário’ é certamente Grigory Sokolov, a ponto de sobre ele circularem os mais extravagantes rumores e ‘mitos urbanos’. A sua intransigência artística confunde-se com secretismo e monomanias. Há quase década e meia que abandonou os concertos com orquestra, alegando que não há tempo de ensaios suficiente, o que, aliás, é um facto. Recusa os estúdios de gravação e mesmo os registos ao vivo que durante os anos 90 permitiu foram interrompidos. E contudo tem uma legião de admiradores, mesmo de admiradores fanáticos, e um recital de Sokolov é um rito, em que subjuga de imediato o público, invariavelmente rendido, não faltando até a ‘liturgia’ dos cinco ou seis extras (!!!) da praxe. É um pianista de capacidades e técnica prodigiosas, estonteantes mesmo, de uma sonoridade poderosíssima, característico da “escola russa”, designação que aliás abomina”.

Augusto M. Seabra, Ípsilon, 20/03/2015

 

Programa

Wolfgang Amadeus Mozart

Sonata para Piano n.º 16, em Dó maior, K. 545

Fantasia em Dó menor, K. 475

Sonata para Piano n.º 14, em Dó menor, K. 457

Ludwig van Beethoven

Sonata Piano n.º 27, em Mi menor, op. 90

Sonata para Piano n.º 32, em Dó menor, op. 111

 

Bilhetes

Cadeiras de Orquestra:

Geral: 25 euros; Estudantes, menores de 30 anos, maiores de 65 anos e grupos ≥ 10 pessoas: 22,50 euros

Plateia:
Geral: 20 euros; Estudantes, menores de 30 anos, maiores de 65 anos e grupos ≥ 10 pessoas: 18 euros

Balcão:
Disponível depois de esgotados os outros setores do Grande Auditório

Classificação etária: M/6

Duração: 120 min

 

Informação

Bilheteira – 239857191 | Horário: 15h00 às 20h00

bilheteira@coimbraconvento.pt

Convento São Francisco

Av. da Guarda Inglesa n.º 1 A 3040 | 193 Coimbra – Portugal

Tel.:+351 239857190 geral | geral@coimbraconvento.pt

 

 

Fotografia: Vico-Chamla